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Este projeto integra a disciplina de Técnicas de redação e faz parte do processo de avaliação contínua de cada aluno do 2ºII sob orientação da profª Patrícia.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

O sabor das palavras.


“Um país se faz com homens e livros”

(Monteiro Lobato)

Meus olhos deslizavam lentamente, e por vezes, quando careciam de sentido, repousavam sobre aquele turbilhão de palavras que eram proferidas dos lábios mais fabulosos que eu já vira em toda a minha vida.
Eles exalavam um brilho metálico, e petrificavam o meu coração à medida que eu os ia lendo, ou apenas os sentia colocando a mão sobre o papel e sentindo o coração pulsante das palavras.Gostava daquelas palavras, porque gosto de palavras, e buscava senti-las em cada parte do meu corpo, buscava assimilar a batida do coração delas com as de seu narrador, mas não conseguia compreendê-las, só que eu sabia que em outra época elas haviam feito todo o sentido. Empalideci. Como alguém pode usar as palavras pra destruir uma nação?
Era o Fuhrer quem estava petrificando o meu coração. Ele havia feito dessas palavras uma arma. Dominara toda uma nação através delas. Hitler era o Fuhrer, o dono da essência do poder, pois este influenciava as pessoas com o seu camuflado de palavras.
Lágrimas iam escorrendo dos meus olhos e minha ávida língua ia lambendo-as e profanando-se com essa tristeza que emergia do vazio de meu peito que o dito cujo causara. Coloquei  o livro “Minha Luta”( Mein  Kampf) de lado, mas a verdadeira vontade que eu tinha era de pôr fogo nele. E em toda aquela essência, mas com isso eu estaria pregando a destruição, e de maneira alguma eu queria me igualar a ele. Também temia pelas palavras.
Tragava cada vez mais o pensamento que me vinha emaranhado a chuva: Que o que o mundo realmente precisa é de um exército de palavras capaz de doar um pouco mais de si e do que se sabe, capaz de fazer a diferença na vida de algumas pessoas, mas positivamente. O filme The Dreamers condensava-se a este pensamento, e agora eu via os soldados armados com livros, e não mais com armas. Era uma guerra de palavras, ou antes um diálogo!
Com passos lentos, porém precisos, fui me direcionando até a janela que estava aberta. Me postei rente a ela e passei a observar a minha rua, o meu mundo. Ri sarcasticamente e pensei: O mundo está em colapso!
Com todo o meu corpo, comecei a pintar um quadro feito de palavras que identificavam o atual estado do Brasil. Pincelava-o violentamente, mas não estava pincelando-o. Estava pensando que o fazia.
Meu corpo todo estava reagindo aqueles pensamentos. Estava me debatendo frente à janela enquanto o quadro estava sendo feito.
Nos dias de hoje é a Rede Globo quem está moldando o pensamento da nação, talvez seja ela quem esteja delimitando o meu quadro. Ela é o grande Fuhrer da época, pois é ela quem tem regido – indiretamente - a mente daqueles que se deixam influenciar, ou seja, a grande maioria. Influenciando-os na maneira de se vestirem, de cortarem o cabelo, as músicas que devem ser escutadas, os heróis que devem ser eleitos como tais, e até mesmo as marionetes que lhes serviram para reger o país.
No entanto, folheando o jornal náutico cheguei à conclusão de quê há países em situações mais críticas, pois o sonho de Hitler continua vivo entre os Asiáticos de cabelo escuro e olhos puxados que querem ser a raça superior da vez.
No caso, A Mongólia tem defendido a pureza da raça e dessa maneira tem desenvolvido um movimento ultranacionalista. Grupos como a Suástica Branca dedicam-se ao ódio a influência chinesa. Apesar de se definirem como um grupo não violento, eles admitem serem os seguidores da ideologia de Hitler: "Somos contra o extremismo e o começo da II Guerra Mundial, mas admiramos a ideologia nazi. Preferimos o nacionalismo ao fascismo."
Para Franck Billé da Universidade de Cambridge: “este movimento nazista tem ocorrido, pelo sentimento de que a China pretende 'engolir' a Mongólia".
Engolir a Mongólia, tive que rir mais uma vez. Estava surtada! Queria gritar, dizer que novos temas e atores haviam sido abordados neste ano, na política, mas tudo o que fazia era continuar me debatendo, surtando, e pincelando.
Ecoava pela minha mente que alguns políticos que antes estavam adormecidos haviam acordado com o beijo da força do pensamento autônomo, de Kant. Que outros estavam apenas seguindo a linha, e com uma pose autoritária haveriam de nos trazer a ditadura. As lágrimas agora haviam cessado, mas o coração continuava pulsante, o que amolecia o meu corpo. Minha única esperança havia sido deixada para trás com pouco mais de 19 milhões de votos. Tentava buscar fatos que me tornassem menos frágil, não queria mais dar pinceladas amargas. Fui me recordando de outras notícias, e me lembrei da possibilidade de haver vida em Marte. Recordei-me que cientistas usaram a luz infravermelha da NASA e descobriram que rochas podem conter restos fossilizados em Marte, e que a superfície do planeta, revela que as características do lugar são quase idênticas às que existem em Pilbara, região noroeste da Austrália, onde foram preservados alguns dos primeiros indícios de vida terrestre. Por fim, outra suspeita é que sejam identificados vestígios de estromatólitos, substâncias rochosas formadas a partir da presença de micróbios antigos.
Um desses sorrisos repletos de doçura fluiu de meus lábios quando dei minha pincelada direcionada a pequena Liz, minha querida amiga que adormecia rodeada de livros para se sentir mais segura. O pudor daquela criança estava purificando o meu coração, e embelezando o meu quadro. Ela, assim como eu, não entendia tudo o que lia, mas beijava as palavras pra sentir o gosto delas.
Rememorei os pensamentos de meus amigos eleitores, e pincelei suas opiniões no quadro exatamente como eles as expuseram:
“O ex-governador de São Paulo, Serra, em seu governo nos trouxe inúmeros benefícios, tais como: - Os hospitais das clínicas, novas apostilas para as escolas públicas e dois professores  no ensino infantil, o que aprimorou o estudo, contribuiu no abaixamento da tributação de impostos na área de construção civil, e trouxe consigo outros benefícios. Logo, penso se ele fez tudo isto a São Paulo, imagine só o que ele não poderia fazer pelo nosso Brasil?!” (Raphael Ferreira)

“Eu, Matheus, como sou um militante do PV – Partido Verde – estava pensando na candidatura da Marina Silva.
Como Marina em sua campanha disse que existem duas propostas de governo, uma da Dilma e do Serra, e outra dela, Marina Silva e eu concordei com esta ideologia, logo estaria fugindo da minha opinião e dos meus ideais se votasse em uma proposta diferente da Marina, por isso, votarei nulo no segundo turno. “ ( Matheus Fatori)

Temos visto de camarote a grande evolução econômica do Brasil nesses últimos 10 anos, e a alto elevação da taxa de pessoas fora da miséria.
Lógico que com o crescimento econômico há o favorecimento d’aqueles que o acompanham, no entanto estes são a minoria e as propostas que favorecem o crescimento para esses seriam em vão, pois só alimentariam o capitalismo burguês e as diferenças sociais, por esse motivo creio que as propostas do nosso comadre Tucano fariam do capitalismo um ciclo mais vicioso do que ele já o é.
Logo, o que precisamos é de algo que favoreça o crescimento econômico acompanhado por propostas de radicalização da pobreza, ajudando dessa maneira o  crescimento do povo brasileiro tal como propõe  nossa camarada Dilma.
“Ensine-os a pescar, mas não lhes dê o peixe” Diga isso a quem está morrendo de fome, por isso é coerente pensarmos desse modo: “Primeiramente, mate a fome com o peixe e depois, ensine-os a pescar.” (Rafael Silva)

O quadro da vida havia sido pintado em mim. E, como Liz, decidi não tomar partido nenhum. Beijei o quadro para sentir o seu sabor - exatamente como ela o faria – e o doce – provindo de belas recordações - que emanava de meus lábios neutralizou todo aquele azedume.
Tranquilamente, deixei que meu quadro caísse da janela, jogando-me consigo. As águas torrenciais vindas da chuva purificavam o meu quadro que agora estava se dissipando e a minha alma ia adentrando uma nova realidade para tornar-se límpida. Meu corpo levado pela chuva, flutuava vazio pelas ruas. Cada um o via de uma maneira, mas todos diziam a mesma coisa.

ㅤㅤJá dizia Amélie Poulain: ” A vida está cada vez mais difícil para os sonhadores.”


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