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Este projeto integra a disciplina de Técnicas de redação e faz parte do processo de avaliação contínua de cada aluno do 2ºII sob orientação da profª Patrícia.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

TORTURA NO BRASIL

A autoridade - militar ou civil - pede os documentos. A autoridade - fardada ou à paisana decide que você é uma ameaça à sociedade. Algemado, debaixo de “bordoadas”, você é levado para uma delegacia e jogado numa cela, onde não cabem dez, mas há cinquenta miseráveis. Você fica lá dentro, no meio da “muvuca”, durante dois dias sem dormir, em pé e sem poder se deitar. No terceiro dia, o carcereiro leva você até uma sala especial e o coloca no “pau-de-arara” e é espancado até se urinar todo e você volta à infância, gritando mamãe.

Depois você passa por uma seção de choques. Os dentes trincam, a língua engrossa dentro da boca, os olhos rolam, o cérebro entra em pane. A seguir, enfiam sua cabeça dentro de um galão cheio de água numa seção de afogamentos. Você está no meio do Oceano Atlântico e vai ter que beber tudo. E é claro que você confessa:

“Não existe tortura no Brasil! Eu nunca mais vou dizer que existe tortura no Brasil! Tortura nunca mais! Aqui não existe mais tortura!”

Você está com sorte, o torturador foi com a sua cara. Chama outro torturador, que está ali no canto e pede que ele fique frente à frente com você. Não dá para ver quem é o outro: ele tem olhos vazios que vão além da dor, anestesiado de tanta pancada. “Beija! Na boca! Beija na boca!” Você quer sair do inferno. Você não aquenta mais. “Beija!”, grita o torturador. Você beija o outro.Isso é beijo de comadre. “De língua! Eu quero um beijo de língua!” Você dá um beijo de língua.

Não existe tortura no Brasil.

Você apanhou de graça. E beijou a boca de outro homem sem prazer. Você estava certo: existe tortura no Brasil. E quem diz isso é o Chefe de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, o delegado Hélio Luz: “A sociedade tem parte da culpa. Ela sempre tolerou a tortura e a usou para resolver os seus problemas. Quantas vezes a elite entrou numa delegacia e pediu para dar um aperto na empregada, suspeita de sumir com as jóias da madame? E não podemos esquecer que o Estado sempre utilizou a tortura como mecanismo de defesa. Não podemos esquecer-nos dos períodos do Estado Novo e do regime militar. Nunca se bateu tanto nesse país como naqueles tempos,”diz o delegado.

Tudo bem. O Chefe de Policia sabe o que diz. E você se deu bem: podiam ter queimado seu pênis ou enfiado um vergalhão em brasa nos seus ânus.

Ou para falar mais radicalmente: você podia estar morto. Mas você está aí: vivo. E como não é nenhum Chefe de Policia, acha bom confessar que não existe tortura no Brasil.

Isso vai fazer bem a sua saúde.

Matheus e Rafael

3 comentários:

  1. Muito bom o texto postado, condiz bem com a realidade atual, principalmente no fator abuso de autoridade e a tortura ou brutalidade (na minha opinião são a mesma coisa).
    Quanto ao sistema de presidios nao tem nada melhor para descreve-lo do que a palavra ''PORCO'', cheira mal, e é um ''esterco''.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Meninos muito bom o texto de vocês.
    Gostei muito.
    Parabéns pelo texto de vocês.
    Alexandra Alves

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